Há olhares que passam e olhares que ficam. E toda a gente que já trabalhou perto de alguém atraente sabe exactamente a diferença entre os dois.
Foi num momento banal. Uma reunião, um corredor, um documento que ele foi entregar à secretária. E de repente aquele olhar — demorado, directo, diferente de todos os outros. O tipo de olhar que não tem explicação profissional nenhuma. Que vai directamente a um lugar que ela não estava à espera de sentir no trabalho.
E ela corou. Não por fraqueza — mas porque o corpo reage antes de a cabeça ter tempo de decidir o que fazer com aquilo.
O problema com a atracção no trabalho é que não pede autorização. Aparece no sítio mais inconveniente possível, com a pessoa mais complicada possível, na altura em que menos convém. E depois está lá — todos os dias, no mesmo escritório, nos mesmos corredores, nas mesmas reuniões.
A tensão sexual entre colegas ou entre chefe e funcionária é um dos territórios mais explorados em fantasia e menos falados em voz alta. Porque envolve poder. Porque envolve risco. Porque a linha entre o que é real e o que é imaginado é muito fina — e atravessá-la pode mudar tudo.
Ela passou o resto do dia a tentar perceber se foi real ou se estava a inventar. A rever o momento. A imaginar o que teria acontecido se tivesse correspondido ao olhar em vez de desviar os olhos.
Não fez nada. Mas pensou em tudo.
Já sentiste esta tensão com alguém no trabalho? Um olhar, uma proximidade, uma conversa que foi longe demais? Ficou só em fantasia ou passou disso? Regista-te e conta — sem nomes, sem julgamentos.