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💑 CASAIS & RELACIONAMENTOS => 🌶️ Reacender a Chama => Tópico começado por: Joana em Mai 02, 2026, 02:02 PM

Título: 😳 O meu patrão olhou para mim de uma forma que me fez corar
Mensagem de: Joana em Mai 02, 2026, 02:02 PM
Há olhares que passam e há olhares que ficam.
Este ficou.
Não foi nada de extraordinário — foi uma reunião de trabalho como tantas outras. Uma sala pequena, uma mesa, um computador, relatórios. O ambiente mais anti-romântico do mundo.
Mas há três semanas que não consigo parar de pensar naqueles três segundos.

Trabalho com o Ricardo há dois anos.
É meu chefe directo. Dez anos mais velho, casado, dois filhos — vi as fotos na secretária dele. Sempre profissional, sempre correcto, daqueles chefes que respeitam os limites e fazem questão de tratar toda a gente com seriedade.
Nunca dei azo a nada. Nunca quis.
Não é o tipo de homem que eu olharia dois vezes numa outra circunstância. Não é o meu tipo físico, não tem o meu estilo de vida, existe numa categoria mental que eu sempre mantive bem separada — chefe, profissional, intocável.
Mas o cérebro não pede autorização para sentir o que sente.

Era uma terça-feira de manhã.
Tinha pedido uma reunião para apresentar os resultados do trimestre — só nós os dois, porque a equipa estava em trabalho de campo. Entrei no gabinete dele com o computador debaixo do braço, montei o PowerPoint, e comecei.
Estou habituada a apresentar. Não fico nervosa. Conheço os números de cor, sei responder às perguntas difíceis, mantenho contacto visual sem esforço.
Foi durante o terceiro diapositivo.
Estava a explicar uma variação nos dados, a apontar para o ecrã, quando algo me fez desviar os olhos — aquele instinto que temos quando sentimos que estamos a ser olhadas.
Ele não estava a olhar para o ecrã.
Estava a olhar para mim.

Não foi um olhar rápido de quem estava distraído. Foi demorado. Escorregado. Começava no rosto e descia — não de forma obscena, nada que eu pudesse transformar numa queixa formal — mas o suficiente para ser inconfundível.
Era o olhar de um homem que se esqueceu por um momento de que não devia estar a olhar assim.
Quando percebeu que eu tinha dado conta não desviou logo.
Ficou. Um segundo. Dois. Os olhos encontraram os meus e havia ali algo — um reconhecimento mútuo, uma centelha — antes de ele sorrir com uma calma que admirei e odiei ao mesmo tempo e dizer simplesmente: "Continua."
Continuei.
Mas as palavras saíam com um esforço que eu esperava que não fosse visível. O coração estava a bater demasiado depressa. Havia uma consciência nova do espaço entre nós — da forma como eu estava sentada, das minhas mãos, da minha voz — que antes simplesmente não existia.
A reunião durou mais quarenta minutos.
Foram os quarenta minutos mais longos da minha vida profissional.

Quando saí fui directa à casa de banho.
Olhei para mim ao espelho durante um momento. Bochechas ligeiramente coradas. Olhos mais vivos do que o habitual. Aquela expressão que a gente tem quando o corpo sabe algo antes de a cabeça o admitir.
Não.
Disse em voz alta para o meu próprio reflexo.
Não.

Mas o problema com estas coisas é que não obedecem.
Nos dias seguintes continuei a trabalhar com ele exactamente como antes — profissional, focada, competente. Ele também. Nada mudou na superfície. Nenhum comentário, nenhum gesto fora do lugar, nenhuma referência ao que tinha acontecido ou ao que tínhamos visto um no outro.
Era como se aqueles três segundos não tivessem existido.
Excepto que existiram.
E à noite, quando estava sozinha, quando a exaustão do dia baixava a guarda e o pensamento ia para onde queria — ia para ali. Para aquele olhar. Para aquela fração de segundo em que ele se esqueceu de ser chefe e eu me esqueci de que havia regras.
Deixava-me ficar com esse pensamento mais tempo do que devia.
Imaginava como seria se aquela reunião tivesse corrido diferente. Se em vez de "continua" ele tivesse dito outra coisa. Se eu tivesse fechado o computador devagar e olhado para ele sem desviar.
Na fantasia ele levantava-se. Contornava a mesa. Ficava de pé à minha frente demasiado perto para ser profissional e demasiado perto para eu me afastar sem admitir que não queria afastar-me.
"Tens de acabar essa apresentação," dizia ele na minha cabeça.
"Sei," dizia eu.
E nenhum dos dois se movia.
Na fantasia era ele a mover-se primeiro. Devagar — sempre devagar, como alguém que tem a certeza do que está a fazer e não precisa de se apressar. A mão no meu rosto primeiro, um toque que era quase uma pergunta. E eu que respondia sem palavras.
O que acontecia a seguir eu guardava só para mim.

Na vida real ele continua a ser meu chefe.
Continua profissional. Correcto. Distante da forma exacta que é suposto ser.
Eu continuo a fazer o meu trabalho. A chegar a horas, a entregar o que é preciso, a estar presente nas reuniões como se nada tivesse acontecido.
Mas há uma coisa que mudou.
Quando ele entra numa sala eu sei exactamente onde ele está sem ter de olhar. Quando fala em grupo e a conversa vai para outro lado os meus olhos voltam sempre para ele. Quando por acaso os nossos olhares se cruzam há um segundo — apenas um — em que qualquer coisa passa entre nós antes de seguirmos em frente.
Não sei o que é essa coisa.
Sei que não vou fazer nada. Sei que isto fica aqui — neste espaço entre o que é real e o que existe só na cabeça, que é onde a maior parte das coisas mais intensas da vida acaba por ficar.
Mas sei também que há olhares que mudam algo.
E que esse mudou.

Já sentiram isto? Aquela tensão com alguém que não deviam — um chefe, um colega, alguém fora do alcance? Como lidaram com isso?
Aqui é seguro contar. 🔥